Arrependimento
Especialmente um, chamado Lucas. Resumido por "jogar um amigo fora". Quase literalmente.
Para situar os parcos (e caros) leitores, vou ter que voltar no tempo, e contar uma pequena trajetória.
1999, mudança de São Luís Gonzaga para Ijuí. Muitas esperanças. Quem sabia um possível amigo na escola estadual pudesse aparecer para preencher o espaço dos deixados na cidade natal.
2001, nada. Nem dois anos foram capazes de trazer uma companhia. Apenas colegas. Mas felizmente, na época, o garoto de 14 anos, o melhor da turma (modesto e ainda assim orgulhoso), ridicularizado por ser aplicado e avançado, não ligava. Ainda não era ciente da solidão, e se fosse, certamente não se moveria na tentativa de apazigua-la.
Ah! Mudança. Meia bolsa na melhor escola particular da cidade no meio do ano. Novo mundo. Novas pessoas, novos ares, no realidade. Importava não ter condições financeiras para estar no mesmo nível das roupas dos boyzinhos que vestiam Mormaii e das patys que lanchavam todo dia na cantina, mas só para o garoto. Os outros, ou não ligavam, ou fingiam muito bem nao ligar. E olhe só! Haviam esnobes, sim, mas eram totalmente ofuscados pelo brilho daqueles de bom coração.
E na turma da sua série, o garoto encontrou colegas. E um amigo. Ou assim pensou o garoto. Levou um tempo até a aquisição daquela relativa cumplicidade entre os dois adolescentes, inconscientes das sutileza da vida e de suas necessidades emocionais. Apenas existiam. Estudavam, riam, jogavam, conversavam, se divertiam. Não havia preocupações.
Nesse meio tempo surgiram outras coisas, outras pessoas na vida do menino. Muito boas, com certeza. O curso de inglês, o grupo de teatro, a melhor amiga (que daria assunto para centenas de milhares de palavras) (mas agora fora de contexto), Taekwondo.
Assim passaram quase três anos.
2004, o despertar. A maravilhosa arte marcial apresentada pela amiga revelou uma nova realidade. Auto-estima. Confiança. Segurança. Coragem. Conhecimento. Percepção. E muito mais.
E o adolescente surgido dessa combinação acordou. Acordou para a verdadeira vida, de desafios e superações e perigos e responsabilidades e sentimentos e obrigações.
E em meio a toda essa realização, também se deu conta das entrelinhas, ficando abalado por o quê leu. Na livro a sua frente, descobriu que o amigo não passou de mais um colega, que se aproveitou de inocência e generosidade gratuitas e deixou-se "levar nas costas". Os trabalhos, em dupla, feitos sozinho. Os projetos, idealizados por duas mentes criativas e executados por somente um par de mãos. A falta de retorno. O desconhecimento da vida alheia.
E o garoto decidiu que era hora da situação acabar.
E aí aparece o arrependimento. Em um lance de escadas. De um andar para outro. Porque do primeiro degrau, interrogando o amigo a respeito de sua dedicação, ao chegar ao último, o rapaz não ouviu o que esperava. E jogou tudo para o alto.
De volta ao coleguismo. Do primeiro andar ao térreo.
Depois disso, o garoto se voltou para aquilo que achou importante. As aulas, antes negligenciadas na turma do fundão, agora acompanhadas nas fileiras da frente. O grupo de teatro, o refúgio divertido das terças-feiras. A academia, recheada de responsabilidade e mesmo assim descontraída.
E assim o ano terminou. Formatura. E nunca mais.
Mas o rapaz ainda olha para o último andar do prédio do colega quando passa pela avenida. E sente falta das piadas, da companhia. E fica pensando como teria sido diferente a segunda metade de 2004 sem aquela escada.
Assim eu me arrependo. E quero pedir desculpas. Mas não tenho coragem de faze-lo. Mesmo que o perfil esteja lá. Mesmo que eu tenha acessado algumas vezes para saber como andam as coisas. Minha única alternativa é aliviar esse peso em linhas que certamente não serão lidas por quem deveria.
Perdão
Para situar os parcos (e caros) leitores, vou ter que voltar no tempo, e contar uma pequena trajetória.
1999, mudança de São Luís Gonzaga para Ijuí. Muitas esperanças. Quem sabia um possível amigo na escola estadual pudesse aparecer para preencher o espaço dos deixados na cidade natal.
2001, nada. Nem dois anos foram capazes de trazer uma companhia. Apenas colegas. Mas felizmente, na época, o garoto de 14 anos, o melhor da turma (modesto e ainda assim orgulhoso), ridicularizado por ser aplicado e avançado, não ligava. Ainda não era ciente da solidão, e se fosse, certamente não se moveria na tentativa de apazigua-la.
Ah! Mudança. Meia bolsa na melhor escola particular da cidade no meio do ano. Novo mundo. Novas pessoas, novos ares, no realidade. Importava não ter condições financeiras para estar no mesmo nível das roupas dos boyzinhos que vestiam Mormaii e das patys que lanchavam todo dia na cantina, mas só para o garoto. Os outros, ou não ligavam, ou fingiam muito bem nao ligar. E olhe só! Haviam esnobes, sim, mas eram totalmente ofuscados pelo brilho daqueles de bom coração.
E na turma da sua série, o garoto encontrou colegas. E um amigo. Ou assim pensou o garoto. Levou um tempo até a aquisição daquela relativa cumplicidade entre os dois adolescentes, inconscientes das sutileza da vida e de suas necessidades emocionais. Apenas existiam. Estudavam, riam, jogavam, conversavam, se divertiam. Não havia preocupações.
Nesse meio tempo surgiram outras coisas, outras pessoas na vida do menino. Muito boas, com certeza. O curso de inglês, o grupo de teatro, a melhor amiga (que daria assunto para centenas de milhares de palavras) (mas agora fora de contexto), Taekwondo.
Assim passaram quase três anos.
2004, o despertar. A maravilhosa arte marcial apresentada pela amiga revelou uma nova realidade. Auto-estima. Confiança. Segurança. Coragem. Conhecimento. Percepção. E muito mais.
E o adolescente surgido dessa combinação acordou. Acordou para a verdadeira vida, de desafios e superações e perigos e responsabilidades e sentimentos e obrigações.
E em meio a toda essa realização, também se deu conta das entrelinhas, ficando abalado por o quê leu. Na livro a sua frente, descobriu que o amigo não passou de mais um colega, que se aproveitou de inocência e generosidade gratuitas e deixou-se "levar nas costas". Os trabalhos, em dupla, feitos sozinho. Os projetos, idealizados por duas mentes criativas e executados por somente um par de mãos. A falta de retorno. O desconhecimento da vida alheia.
E o garoto decidiu que era hora da situação acabar.
E aí aparece o arrependimento. Em um lance de escadas. De um andar para outro. Porque do primeiro degrau, interrogando o amigo a respeito de sua dedicação, ao chegar ao último, o rapaz não ouviu o que esperava. E jogou tudo para o alto.
De volta ao coleguismo. Do primeiro andar ao térreo.
Depois disso, o garoto se voltou para aquilo que achou importante. As aulas, antes negligenciadas na turma do fundão, agora acompanhadas nas fileiras da frente. O grupo de teatro, o refúgio divertido das terças-feiras. A academia, recheada de responsabilidade e mesmo assim descontraída.
E assim o ano terminou. Formatura. E nunca mais.
Mas o rapaz ainda olha para o último andar do prédio do colega quando passa pela avenida. E sente falta das piadas, da companhia. E fica pensando como teria sido diferente a segunda metade de 2004 sem aquela escada.
Assim eu me arrependo. E quero pedir desculpas. Mas não tenho coragem de faze-lo. Mesmo que o perfil esteja lá. Mesmo que eu tenha acessado algumas vezes para saber como andam as coisas. Minha única alternativa é aliviar esse peso em linhas que certamente não serão lidas por quem deveria.
Perdão
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Um comentário:
UAL! E VAI DAR JEITO EM UM COMPUTADOR E UMA TV PARA PARAR DE PENSAR EM TANTA COISA! hdausdhasudhasudahsud
bjoepula e se quer um conselho: cria coragem e fala com ele! ;) te dou a maior força
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